WORKSHOP ONLINE
Formador: Vânia Simões
Data a anunciar
Duração: 5 horas
Enquadramento
A entrada em vigor da Lei n.º 33/2025, que conceptualiza juridicamente a violência obstétrica em Portugal, marca um momento histórico na defesa dos direitos das mulheres em contexto de gravidez, parto e puerpério. Esta evolução legislativa vem dar continuidade ao percurso iniciado com a Resolução UE 2306/2019 do Conselho da Europa, à Lei n.º 110/2019, e à Resolução da Assembleia da República n.º 181/2021, que reconheceram formalmente esta forma de violência de género e recomendaram medidas concretas para a sua erradicação.
Mas o que significa, na prática, este novo enquadramento legal para os profissionais de saúde, juristas e decisores públicos?
Como conciliar a autonomia técnica e clínica com o direito das mulheres à dignidade, consentimento informado e parto humanizado?
Estarão as instituições e equipas de saúde preparadas para responder às novas exigências legais, éticas e formativas impostas pela lei?
A ausência de conteúdos programáticos sobre o tema na formação académica e contínua dos profissionais de saúde revela a urgência de criar espaços de reflexão e capacitação interdisciplinar. Este workshop pretende ser precisamente esse espaço — um momento de partilha, sensibilização e debate sobre os impactos profissionais, jurídicos e éticos decorrentes da nova legislação, antecipando dificuldades na sua aplicação, desafios de interpretação jurídica, e a necessidade de boas práticas institucionais que assegurem o respeito pelos direitos humanos no parto.
Mais do que uma obrigação legal, o combate à violência obstétrica é um compromisso coletivo com a humanização dos cuidados e com a justiça reprodutiva.
Objetivo Geral:
Conhecer os direitos das mulheres em idade reprodutiva em contexto de assistência obstétrica;
Programa:
- Módulo I – Parte Geral
- 1.1. Evolução histórica e sociológica dos cuidados de saúde materno-infantis
- 1.2.Conceito de Violência Obstétrica: categorizações, revisão de literatura e análise de Direito Comparado
- 1.3.Distinção da Violência Obstétrica de figuras/eventos médicos afins:
- 1.3.1. Negligência médica
- 1.3.2. Erro médico
- Módulo II – Direitos na Gravidez, Parto e Puerpério
- 2.1. Violência Obstétrica e Direitos Fundamentais das mulheres implicados em situações de violência obstétrica
- 2.2. Direitos das mulheres em contexto de assistência obstétrica
- 2.2.1.Direito à informação, ao consentimento/recusa informado/a
- 2.2.2. Direito ao respeito pelas suas escolhas e preferências
- 2.2.3. Direito à confidencialidade e à privacidade
- 2.2.4. Direito ao tratamento digno e respeitoso
- 2.2.5. Direito à não discriminação
- 2.2.6. Direito a receber os melhores cuidados de saúde
- 2.2.7. Direito à autonomia e autodeterminação
- 2.2.8. Direito ao acompanhamento – especificidades
- 2.2.9. Direito à mínima interferência
- 2.2.10. Direito à amamentação
- 2.2.11. Direito a um intérprete
- 2.2.12.Direito ao alívio da dor
- 2.2.13.Direito à vigilância/à assistência continuada
- Módulo III – Responsabilidade dos profissionais de saúde/instituições decorrente de situações de violência obstétrica
- 3.1. O impacto da Lei 110/2019, de 9 de setembro na responsabilidade médica em Obstetrícia
- 3.2. Enquadramento dos diversos tipos de responsabilidade advinda das situações decorrentes de violência obstétrica
- i) Responsabilidade civil
- ii) Responsabilidade criminal
- iii) Responsabilidade deontológica
- iv) Responsabilidade disciplinar/laboral
- v) Responsabilidade contraordenacional
- 3.3. Tendências legislativas – a Lei 33/2025, de 31 de março e os projetos-lei subsequentes
- 3.4. Da necessidade de julgamento numa perspetiva de género como condição de acesso efetivo à justiça;
Público-Alvo:
Juristas, profissionais forenses.
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